Lupa da YoungNetwork Edição #2 · 3 de novembro de 2026 INE · Os portugueses e a IA
YoungNetwork Group

Os mais novos já usam IA. Os outros dizem que não precisam.

Em 2025, o INE perguntou pela primeira vez aos portugueses se usam ferramentas de inteligência artificial. O que separa quem usa de quem não usa é sobretudo a idade, a escola e o rendimento.

Os números da semana

6 números para levar para a próxima conversa

Todos sobre pessoas dos 16 aos 74 anos que vivem em Portugal, nos 3 meses anteriores à entrevista, salvo indicação.

01Estudantes
81,5%
dos estudantes usaram ferramentas de IA
É o grupo que mais usa IA
02Para quê
33,2%
das pessoas dos 16 aos 74 anos usaram IA na vida pessoal
Também dos 16 aos 74 anos, 19,9% usaram IA no trabalho e 14,5% nos estudos
03Escola
63,4%
de quem tem o ensino superior usou IA
Com, no máximo, o ensino básico: 14,6%
04Rendimento
55,4%
dos 20% com rendimentos mais altos usaram IA
Nos 20% com rendimentos mais baixos: 22,1%
05Quem não usa
67,9%
de quem não usou IA diz que não sente necessidade
É de longe o motivo mais apontado
06Homens e mulheres
39,8%
dos homens usaram IA
Mulheres: 37,7%. A diferença é de 2,1 pontos
João Duarte
João Duarte, CEO
YoungNetwork Group
A Lupa do João Duarte

IA vai cavar o fosso entre vencedores e acampados

A inteligência artificial não vai chegar a todos ao mesmo tempo. Chega primeiro aos mais novos, a quem estudou mais e a quem vive nas regiões mais desenvolvidas. E quem chega primeiro aprende mais depressa, produz mais e decide melhor.

Quem comunica tem aqui uma responsabilidade. Falar também para os que ainda acham que não precisam, mostrar-lhes a IA a resolver coisas concretas, como marcar uma consulta, perceber uma carta das Finanças ou preparar uma entrevista de emprego. E ir ter com essas pessoas onde elas estão: na televisão, na rádio local, no jornal da terra, na junta de freguesia. E escrever sem siglas nem inglês, com a paciência de quem explica a um vizinho.

Porque a IA vai escolher vencedores entre os que já estão a vencer. Os vencidos irão acampar mais vezes no Rossio ou na Dom João I.

Idade

A IA ainda é coisa de novos

Percentagem de pessoas que usaram ferramentas de IA nos 3 meses anteriores à entrevista, por idade.

16 a 24
76,5%
25 a 34
62,6%
35 a 44
52,3%
45 a 54
38,8%
55 a 64
18,2%
65 a 74
5,8%

Dos 16 aos 24 anos, 3 em cada 4 usam IA. Dos 65 aos 74 anos, menos de 1 em cada 10. Entre os reformados e outros inativos, 8,8%.

Regiões

Grande Lisboa à frente, Alentejo atrás

Percentagem que usou ferramentas de IA, por região (NUTS II). Quanto mais escuro, maior o uso.

28,3%48,4%

Entre a região que mais usa e a que menos usa há 20,1 pontos de diferença.

A Grande Lisboa e a Península de Setúbal são as únicas regiões acima dos 40%. O Alentejo tem o valor mais baixo do país.

A porta está aberta

A internet já chegou a quase todos. A IA ainda não

Os dois primeiros valores são de toda a população dos 16 aos 74 anos. Os outros dois são de quem não usou IA.

16 aos 74 anos
89,5%
usaram a internet nos 3 meses anteriores à entrevista
16 aos 74 anos
59,2%
têm competências digitais de nível básico ou acima
Quem não usou IA
15,3%
não usa porque não sabe como
Quem não usou IA
8,3%
não usa por preocupações com a privacidade ou a segurança
E daí?

O que isto muda para quem comunica

Mostrar para que serve

Poucos deixam de usar IA por receio. A maioria acha que não precisa. A conversa ganha com exemplos concretos do dia a dia, mais do que com explicações sobre a tecnologia.

Dois públicos, duas linguagens

Para os mais novos e para quem estudou mais, a IA já é uma ferramenta. Para os mais velhos, ainda é uma novidade distante. A mesma mensagem não chega aos dois.

O uso começa em casa

A IA entra em Portugal pela vida pessoal, mais do que pelo trabalho. É aí que as marcas a podem tornar útil e próxima.

O país não é Lisboa

Uma campanha pensada a partir da Grande Lisboa sobrestima o uso da IA no resto do país, sobretudo no Alentejo e nas ilhas.

Vídeo e PDF

A Lupa em vídeo e em PDF.