Lupa da YoungNetwork Edição #1 · 27 de outubro de 2026 STADA Health Report 2026 · Saúde e IA
YoungNetwork Group

Confiamos no médico. O problema é chegar até ele.

Os portugueses estão entre os que mais ouvem médicos e farmacêuticos, e entre os que mais se queixam da falta deles. Da inteligência artificial esperam diagnósticos mais rápidos.

Os números da semana

6 números para levar para a próxima conversa

Todos sobre adultos em Portugal (18 ou mais anos). A comparação é com o conjunto dos 20 países do estudo.

Senha 01Médicos
90%
dizem que o médico de família e outros profissionais de saúde influenciam as suas decisões de saúde
20 países: 77% · O valor mais alto, a par de Espanha
Senha 02Farmácia
71%
dizem que os farmacêuticos e as equipas da farmácia influenciam as suas decisões de saúde
20 países: 57% · 2.º lugar, depois da Eslováquia
Senha 03Controlo
44%
sentem que controlam a gestão do seu próprio bem-estar
20 países: 78% · O valor mais baixo de todos
Senha 04IA
51%
acreditam que a inteligência artificial vai permitir diagnósticos mais rápidos
20 países: 43% · 2.º lugar, depois do Reino Unido
Senha 05Idosos
20%
dizem que o sistema de saúde apoia bem os cuidados aos idosos
20 países: 32% · Entre os mais baixos, com a Bulgária e a Hungria
Senha 06Saúde mental
50%
dizem que o acesso a cuidados de saúde mental é um grande problema do país
20 países: 36% · Entre os mais altos, com a Bulgária e a Hungria
João Duarte
João Duarte, CEO
YoungNetwork Group
A Lupa do João Duarte

Não queremos algoritmos,
queremos tempo com os médicos

Os portugueses não precisam de ser convencidos a confiar em quem trata deles. Já confiam. O que lhes falta é tempo com essas pessoas. Por isso, a comunicação de saúde anda ao contrário: muita marca a falar, pouco profissional a explicar. Se amanhã tivesse uma mensagem de saúde para passar, punha-a na boca de um médico ou de um farmacêutico, e dizia-a em metade das palavras.

Com a inteligência artificial passa-se o mesmo. Em Portugal ninguém quer ouvir falar de algoritmos. Quer saber quanto tempo deixa de esperar. Quem apresentar a IA pelo tempo que devolve vai ser ouvido. Quem a apresentar como tecnologia vai falar sozinho.

Portugal e os outros

Mais confiança nos profissionais, mais queixas do sistema

PortugalConjunto dos 20 países

Na satisfação com o sistema público de saúde, Portugal (54%) fica perto do conjunto (56%). A diferença está no resto.

Controlo da própria saúde

Portugal é o país onde menos pessoas sentem que controlam a sua saúde

Percentagem que sente controlar a gestão do seu bem-estar. Países que o relatório destaca nas duas pontas.

Reino Unido
89%
Usbequistão
85%
Áustria
84%
Irlanda
83%
Itália
83%
20 países
78%
Cazaquistão
73%
Bulgária
67%
Polónia
65%
Portugal
44%
Menos de metade sente que controla a sua saúde

Portugal tem o valor mais baixo dos 20 países, 34 pontos abaixo do conjunto. E é também aqui que o médico e a farmácia mais pesam nas decisões de saúde.

Inteligência artificial

O que se espera da IA: chegar mais depressa

Os dois primeiros valores são de Portugal. Os outros dois são do conjunto dos 20 países, porque o relatório não dá o valor português.

Portugal
51%
acreditam que a IA vai permitir diagnósticos mais rápidos
20 países: 43%
Portugal
38%
esperam que a IA torne os serviços de saúde mais fáceis de alcançar
20 países: 33%
20 países
55%
já usam IA em questões de saúde
Abaixo dos 35 anos: 74%
20 países
54%
temem erros ou diagnósticos errados de sistemas de IA
É o maior receio

No conjunto dos 20 países, 58% admitem uma consulta feita por IA em vez de ir ao médico, mas só 11% sem reservas. Os outros põem condições: 17% só aceitam se um profissional de saúde rever a recomendação.

E daí?

O que isto muda para quem comunica saúde

O porta-voz certo é de bata

90% ouvem o médico e 71% a farmácia. Uma mensagem de saúde ganha peso quando é dita por um profissional, não pela marca.

A farmácia é um canal

Portugal está no topo da influência dos farmacêuticos e 48% querem que a farmácia possa renovar receitas de doenças crónicas (20 países: 39%).

Falar de tempo, não de tecnologia

A IA interessa aos portugueses pelo que poupa em espera e acesso. Uma inovação em saúde comunica melhor pelo tempo que devolve.

Dar controlo a quem não o sente

Só 44% sentem que controlam a sua saúde. Informação simples e prática tem aqui mais espaço do que em qualquer outro país do estudo.